quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A Desmistificação do Autor


Eu vou para a festa da faculdade, tomo algumas cervejas, danço forró, ouço funk, curto rock'n'roll. Saio de lá e como temaki na promoção. Chego em casa, a louça suja na pia fazem três dias, ligo o youtube, tomo outra xícara de café, durmo sem por pijama. Não gosto de acordar cedo, adoro chocolate, brinco de bambolê quando não tem ninguém olhando. Tenho medo de montanhas russas.
E quando ele me perguntou o que eu fazia, eu disse que era professora de inglês.

Eu entendo porque ele ficou chocado quando descobriu que eu sou uma escritora premiada, publicada em 3 continentes, o próximo livro prestes a ser lançado. 

Ele tinha a mesma visão que eu tenho - escritores não são pessoas palpáveis, reais. Escritores são bucólicos, inalcançáveis, passam os dias e noites escrevendo, vivem e respiram arte, são imponentes, gigantes. 

Mas a verdade é que eu só sei pensar em poesia e escrevo porque não tenho opção, as palavras saem de mim para que eu possa existir. A verdade é que eu gosto de sair para comer pastel no final do dia. A verdade é que é preciso desmistificar a figura do autor. 

Sou mais encarar páginas em branco até que a frustração vença, sou mais escrever diários e diários de nada que interessa, sou mais horas editando e lendo e relendo, sou mais picolé de brigadeiro - sou mais prática que inspiração, que dom, que talento. Talvez seja vocação e vontade - mas mesmo isso, é só talvez. Com certeza, não sou imponente como sempre vi meus autores favoritos serem.

Eu sou uma escritora. E está tudo bem. 

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