Eu só estou tentando ser ouvida.
Não faltam pessoas que ouçam, o que faltam são palavras que digam o que se passa no meu caos. Me sinto exausta, presa na cama, presa em casa, porque estou presa no meu corpo - onde quer que eu vá, é lá que eu estou. Esse eu que escreve e pensa e doi e quer fazer algo e não sabe o que esse algo é. Só estou tentando ser ouvida.
Ainda não sei o que quero dizer.
Espero que em algum lugar das minhas entrelinhas apareça o rastro fino de linguagem que é eu. Em algum poema, alguma linha, venha a epifania breve e despercebida que será a minha voz.
Até lá, ouço a voz das mulheres que vieram antes de mim. As deprimidas, as ansiosas, as poetas, as comediantes, as escritora, as atoras, as loucas, as corajosas por admitirem a covardia humana. E faço das palavras delas as minhas, murmuro e sinalizo seus discursos, gaguejo sem sentido e fraca.
Estou tentando me ouvir.
Ei, Lu!
ResponderExcluirQue saudade! Cadê você?
Abraços.
Pedro, da Torre Mágica.